quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ideologia...Você quer uma?

Esse é um exercício muito interessante. A tarefa é encontrar no texto seguinte, as idéias e ideais defendidos e, responder a cada um deles, se concorda ou não com tal afirmação.
Segue o texto:

“Pense-se no seguinte.
Em um alojamento subterrâneo, composto de dois quartos abafados, mora uma família proletária de sete pessoas. Entre os cinco filhos, suponhamos um de três anos. É esta a idade em que a consciência da criança recebe as primeiras impressões. Entre os mais dotados encontra-se, mesmo na idade madura, vestígio da lembrança desse tempo. O espaço demasiado estreito para tanta gente não oferece condições vantajosas para a convivência. Brigas e disputas, só por esse motivo, surgirão freqüentemente. As pessoas não vivem umas com as outras, mas se comprimem umas contra as outras. Todas as divergências, sobretudo as menores, que, nas habitações espaçosas, podem ser sanadas por um ligeiro isolamento, conduzem aqui a repugnantes e intermináveis disputas. Para as crianças isso é ainda suportável. Em tais situações, elas brigam sempre e esquecem tudo depressa e completamente. Se, porém, essa luta se passa entre os pais, quase todos os dias, e de maneira a nada deixar a desejar em matéria de grosseria, o resultado de uma tal lição de coisas faz-se sentir entre as crianças. Quem tais meios desconhece dificilmente pode fazer uma idéia do resultado dessa lição objetiva, quando essa discórdia recíproca toma a forma de grosseiros desregramentos do pai para com a mãe e até de maus tratos nos momentos de embriaguez. Aos seis anos, já o jovem conhece coisas deploráveis, diante das quais até um adulto só horror pode sentir. Envenenado moralmente, mal alimentado, com a pobre cabecinha cheia de piolhos, o jovem "cidadão" entra para a escola.
A custo ele chega a ler e escrever. Isso é quase tudo. Quanto a aprender em casa, nem se fale nisso. Até na presença dos filhos, mãe e pai falam da escola de tal maneira que não se pode repetir e estão sempre mais prontos a dizer grosserias do que pôr os filhos nos joelhos e dar-lhes conselhos. O que a criança ouve em casa não é de molde a fortalecer o respeito às pessoas com que vai conviver. Ali nada de bom parece existir na humanidade; todas as instituições são combatidas, desde o professor até às posições mais elevadas do Estado. Trata-se de religião ou da moral em si, do Estado ou da sociedade, tudo é igualmente ultrajado da maneira mais torpe e arrastado na lama dos mais baixos sentimentos. Quando o rapazinho, apenas com quatorze anos, sai da escola, é difícil saber o que é maior nele: a incrível estupidez no que diz respeito a conhecimentos reais ou a cáustica imprudência de suas atitudes, aliada a uma amoralidade que, naquela idade, faz arrepiar os cabelos.
Esse homem, para quem já quase nada é digno de respeito, que nada de grande aprendeu a conhecer, que, ao contrário, conhece todas as vilezas humanas, tal criatura, repetimos, que posição poderá ocupar na vida, na qual ele está à margem?
De menino de treze anos ele passou, aos quinze, a um desrespeitador de toda autoridade.
Sujidade e mais sujidade, eis tudo o que ele aprendeu. E isso não é de molde a estimulá-lo a mais elevadas aspirações.
Agora entra ele, pela primeira vez, na grande escola da vida.
Então começa a mesma existência que nos anos da - meninice ele aprendeu de seus pais. Anda para cima e para baixo, entra em casa Deus sabe quando, para variar bate ele mesmo na alquebrada criatura que foi outrora sua mãe, blasfema contra Deus e o mundo e, enfim, por qualquer motivo especial, é condenado e arrastado a uma prisão de menores. Lá recebe ele os últimos polimentos.”

As principais idéias encontradas no texto são: (Selecione para ler)
"
- Formação da personalidade e do caráter na infância.
- Os pais como formadores primordiais da moral e ética.
- O espaço físico como influência e determinação na qualidade do comportamento e das relações interpessoais.
- A ineficácia das Instituições, no que se refere, principalmente, à formação moral e ética.
- Incapacidade humana de reabilitação e ressocialização.
"

Conclusões: (Selecione para ler)
"
Alguém se questionou sobre a data e autor? Pois essa é uma informação importante para ler e interpretar um texto qualquer. O texto é de 1924 e foi extraído do livro “Mein Kampf” (Minha Luta) de Adolf Hitler.
Nesse livro, Hitler expõe algumas de suas idéias que futuramente seriam utilizadas para justificar o Genocídio e a necessidade de expansão territorial da Alemanha, culminando na Segunda Grande Guerra.
Através de sua retórica, o texto, muitas vezes, parece sedutor e bastante lógico, mas concordar com todas essas idéias sem ressalvas é condenar todos os projetos sociais existentes no planeta, desacreditar nas propostas de todas as instituições de ensino (ou sociais), e finalmente, aceitar que o ser humano é incapaz de se transformar e se adaptar.
Muitas de nossas instituições podem ser falidas e ineficazes, mas não podemos abandonar a idéia do potencial de transformação do ser humano. Os defeitos dessas instituições se dão pela inexistência de projetos bem construídos e eficazes, além da falta de profissionais com formação adequada. Pensem nisso.

Alguns parágrafos à frente, Hitler também escreve:
“Só se pode lutar pelo que se ama, só se pode amar o que se respeita e respeitar o que pelo menos se conhece”
."

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

E o Oscar foi para...

Acabou o Oscar...

Com poucas surpresas, os principais prêmios foram para quem já estava previsto, segundo a maioria dos críticos e a mídia.
Acho que as maiores surpresas se deram nos Oscars técnicos: Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Especiais, onde era certo que "Transformers" levasse o prêmio. E felizmente não ganhou nenhum. "Transformers" pode ser um ótimo filme nestas categorias, mas como um todo é péssimo; tão ruim que não merecia ser premiado nem por aquilo que soube fazer bem. Seu mau anulou o bom!
E "O Ultimato Bourne" levou 3 Oscars (2 roubados do "Tranformers")!!! Muito boa surpresa; é um excelente filme.
E, destaque também para o apresentador: John Stewart. Um pouco tímido ainda, mas espero vê-lo nos próximos anos.
Bom... vejamos os vencedores (em Negrito):

Melhor Filme
"Onde os Fracos Não Têm Vez" - (Miramax and Paramount Vantage)
"Sangue Negro" - (Paramount Vantage and Miramax)
"Desejo e Reparação" - (Focus Features)
"Juno" - (Fox Searchlight)
"Conduta de Risco" - (Warner Bros.)

Melhor Diretor
Ethan e Joel Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez)
Paul Thomas Anderson ("Sangue Negro")
Jason Reitman ("Juno")
Julian Schnabel ("O Escafandro e a Borboleta")
Tony Gilroy ("Conduta de Risco")

Melhor Ator
Daniel Day Lewis ("Sangue Negro")
George Clooney ("Conduta de Risco")
Viggo Mortensen ("Senhores do Crime")
Tommy Lee Jones ("No Vale das Sombras")
Johnny Depp ("Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet")

Melhor Atriz
Marion Cotillard ("Piaf - Um Hino ao Amor")
Julie Christie ("Longe Dela")
Laura Linney ("The Savages")
Ellen Page ("Juno")
Cate Blanchet ( "Elizabeth: A Era de Ouro")

Melhor Roteiro Original
"Juno" - Diablo Cody
"Conduta de Risco" - Tony Gilroy
"Lars and the Real Girl" - Nancy Oliver
"Ratatouille" - Brad Bird
"The Savages" - Tamara Jenkins

Melhor Roteiro Adaptado
"Onde os Fracos Não Têm Vez" - Ethan & Joel Coen
"O Escafandro e a Borboleta" - Ronald Harwood
"Desejo e Reparação" - Christopher Hampton
"Longe Dela" - Sarah Polley
"Sangue Negro" - Paul Thomas Anderson

Melhor Filme Estrangeiro
"The Counterfeiters" (Stefan Ruzowitzky - Áustria)
"Mongol" (Sergei Bodrov - Cazaquistão)
"Beaufort" (Joseph Cedar - Israel)
"Katyn" (Andrzej Wajda - Polônia)
"12" (Nikita Mikhalkov - Rússia)

Melhor Atriz Coadjuvante
Tilda Swinton ("Conduta de Risco")
Amy Ryan ("Gone Baby Gone")
Cate Blanchett ("Não Estou Lá")
Ruby Dee ("O Gângster")
Saoirse Ronan ("Desejo e Reparação")

Melhor Ator Coadjuvante
Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Casey Affleck ("O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford")
Philip Seymour Hoffman ("Jogos do Poder")
Hal Holbrook ("Na Natureza Selvagem")
Tom Wilkinson ("Conduta de Risco")

Melhor Direção de Arte
"Sweeney Todd - o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"
"Sangue Negro"
"Desejo e Reparação"
"O Gângster"
"A Bússola de Ouro"

Melhor Fotografia
"Sangue Negro"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
"Desejo e Reparação"
"O Escafandro e a Borboleta"

Melhor Figurino
"Elizabeth: A Era de Ouro"
"Desejo e Reparação"
"Piaf - um hino ao amor"
"Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"
"Across the Universe"

Melhor Edição
"O Ultimato Bourne"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"O Escafandro e a Borboleta"
"Sangue Negro"
"Na Natureza Selvagem"

Melhor Maquiagem
"Piaf - Um Hino ao Amor"
"Norbit"
"Piratas do Caribe - No Fim do Mundo"

Melhor Trilha Sonora Original
"Desejo e Reparação" (Dario Marianeli)
"O Caçador de Pipas" (Alberto Iglesias)
"Conduta de Risco" (James Newton Howard)
"Ratatouille" (Michael Giacchino)
"3:10 to Yuma" (Marco Beltrami)

Melhor Canção Original
"Falling Slowly" (Glen Hansard e Marketa Irglova - "Once")
"Happy Working Song" (Alen Menken e Stephen Schwartz - "Encantada")
"So Close" (Alan Menken e Stephen Schwartz - "Encantada")
"That's How You Know" (Alan Menken e Stephen Schwartz - "Encantada")
"Raise It Up" (Autor a ser determinado - "August Rush")

Melhor Edição de Som
"O Ultimato Bourne"
"Transformers"
"Ratatouille"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Sangue Negro"

Melhor Mixagem de Som
"O Ultimato Bourne"
"Onde os Fracos Não Têm Vez"
"Ratatouille"
"3:10 to Yuma"
"Transformers"

Melhor Efeito Especial
"A Bússola de Ouro"
"Transformers"
"Piratas do Caribe - No Fim do Mundo"

Melhor Filme de Animação
"Ratatouille" (Brad Bird)
"Persépolis" (Marjane Satrapi and Vincent Paronnaud)
"Tá Dando Onda" (Ash Brannon and Chris Buck)

Melhor Animação de Curta-Metragem
"Peter and the Wolf"
"I Met the Walrus"
"Madame Tutli-Putli"
"Meme Lês Pigeons Vont au Paradis"
"My Love"

Melhor Documentário
"Taxi to the Dark Side" - Alex Gibney and Eva Orner
"No End in Sight" - Charles Ferguson and Audrey Marrs
"Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience" - Richard E. Robbins
"Sicko - SOS Saúde" - Michael Moore and Meghan O’Hara
"War/dance" - Shine Global e Fine Films Production

Melhor Documentário de Curta-Metragem
"Freeheld"
"La Corona"
"Salim Baba"
"Sari's Mother"

Melhor Curta-Metragem
"Le Mozart des Pickpockets"
"At Night"
"Il Supplente"
"Tanghi Argentini"
"The Tonto Woman"
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E ficou assim:
04 Oscars: "Onde os Fracos não têm vez";
03 Oscars: "O Ultimato Bourne";
02 Oscars: "Sangue Negro"; "Piaf - Um Hino ao Amor";
01 Oscar: "Juno"; "The Counterfeiters"; "Conduta de Risco"; "Sweeney Todd - O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet"; "Elizabeth - A Era de Ouro"; "Desejo e Reparação"; "Falling Slowly"; "A Bússola de Ouro"; "Ratatouille"; "Peter and the Wolf"; "Taxi to the Dark Side"; "Freeheld"; "Le Mozart des Pickpocktes".

Por fim, o Oscar é uma grande lista de filmes muito bem produzidos que vale a pena serem vistos. Para os não Xiitas (aqueles que criticam todos os filmes americanos, sem saber do que se trata) é uma boa oportunidade de conhecer alguns bons filmes que não foram vistos antes.
É claro que nem sempre o que levou o Oscar coincide com aquele que gostaríamos, mas essa é uma eleição bastante parcial (como qualquer outra). Alias é por isso que mudaram a frase: And the winner is... (E o vencedor é...) por: And the Oscar goes to... (E o Oscar vai para...).
Assim, o Oscar não é um atestado de excelência, mas sim uma boa indicação do quer ver no próximo fim de semana.

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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Nostalgia da Tarde - A Sessão!

Um grande clássico da Sessão da Tarde dispensa apresentações, mas para quem esteve em Marte nos anos 80/90: Uma cena inesquecível do filme "Quero Ser Grande" (Big, 1988).

O filme foi indicado para 2 Oscars (Melhor Ator - Tom Hanks - e Melhor Roteiro Original), além de ter ganhado uma série de outros prêmios.
O Piano utilizado no filme ainda existe em New York e, ainda é um ponto turístico da cidade.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Send a Bullet (Manda Bala) - O Documentário Proibido

Em 20 de Janeiro, estreiou nos EUA o documentário "Send a Bullet" (Manda Bala, no Brasil). O estreante diretor americano, John Kohn, é filho de uma brasilera com um argentino, e motivado pelas indignações políticas e sociais do pai resolveu filmar esse documentário.
O filme propõe que a corrupção política não é um simples crime de desvio de dinheiro público, mas um crime violento contra o povo. Traça uma ligação entre a corrupção política, a violência pública, com destaque aos nossos queridos sequestradores que amputam as orelhas de suas vítimas, e os médicos brasileiros que desenvolveram técnicas de reconstrução de orelhas. Parece complicado fazer essa relação toda, mas só depois de ver o filme é que poderemos dizer.
O diretor entrevistou políticos e bandidos (redundante?) durante as filmagens e de alguma forma conseguiu ofender pessoas poderosas por aqui, pois Kohn está enfrentando problemas legais para estreiar o filme por aqui. Em entrevista, disse que foi ameçado de processo caso o filme passe no Brasil, e nossa legislação não protege Documentáristas, como protege Jornalistas.
Exatamente por isso, não há previsão de estreia no Brasil. Então parece que vai demorar um pouco mais para vermos esse filme.
E é justamente por conta dessa dificuldade de estreiar no Brasil que fico mais motivado a assistí-lo. O que tem no filme de tão especial para ser "proibido" de passar aqui?

Devemos prestar atenção, pois provavelmente, quando o filme sair por aqui, sairá direto em DVD e não haverá nenhuma notícia sobre o assunto, tornando-o em apenas mais um filme empoeirado e esquecido nas prateleiras.

Send a Bullet conquistou o prêmio de Melhor Documentário em Sundance Film Festival.


Trailer:


Fonte:
BBC Brasil

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ervilhas e Cenouras

Um belo Curta de Animação encontrado no Youtube.

Peas and Carrots



A equipe que o produziu possui um outro, também belo, Curta em Stop Motion.
Confira: http://www.ameseule.com/film.htm

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Adaptações de HQs para o Cinema

As HQs estão invadindo os cinemas. Depois do sucesso de X-Men em 2000, Marvel e DC passaram a investir bastante nos filmes baseados em seus personagens, o que não era muito comum no passado. Parece que descobriram como respeitar os personagens de forma a agradar os fãs dos HQs e o público geral do cinema. Bem, nem todos descobriram isso, mas alguns avanços são evidentes. Mesmo que seja apenas nos efeitos especiais, isso pode colaborar para manter maior fidelidade aos personagens super-humanos dos HQs. Não que só isso seja desculpa para péssimos filmes do passado. Com um bom roteiro e um pouco de criatividade tudo poderia ser bem feito.
Atualmente existem diversos projetos, da Marvel e da DC, para levar muito mais HQs para o cinema. Podemos esperar por: Homem de Ferro, O Incrível Hulk (com Edward Norton!), Batman: O Cavaleiro das Trevas (e um verdadeiro Coringa psicopata, do falecido Heath Ledger), Hellboy 2, Wolverine, Watchmen (medo!). E, ainda em projeto, temos: Capitão Marvel (SHAZAM!!!!), Justiceiro 2, Conan, Y – The Last Man (uma possível trilogia), Thor, Namor e outros.

Considerando apenas nossa atual década, quando o cinema de HQs se renovou, vejamos o que merece ser visto e o que merece ser repudiado (em minha humilde opinião, é claro).

Os 5 Piores Filmes Adaptados de HQs nos anos 2000:

5 - Homem Aranha III (2007) – A franquia caminhava muito bem, mas nesse último filme o excesso de personagens não permitiu aprofundar nada da estória, tornando-o apenas num filme besta de Super-Herói saltitante sem propósito. Só a presença de Venon merecia uma nova trilogia. E o que Gwen Stacy está fazendo aqui? Agora?

4 – Motoqueiro Fantasma (2007) – Um roteiro triste de ruim. Patético! O que são aqueles vilões? Nem mesmo as cenas de ação se salvam. Nicholas Cage e mais um papel vergonhoso para sua carreira.

3 – Elektra (2005) – Sem comentários! Não merecia nem ser citado numa lista de piores. Precisavam apagá-lo de nossa memória.

2 – Demolidor (2003) – Quase tive um ataque epilético vendo esse filme. Quizeram colocar todas as cenas clássicas do herói de mais de 40 anos de estória, descontextualizando tudo que havia de bom no personagem. Isso sem contar Ben Afleck naquele uniforme Sadomasoquista. Existe um roteiro pronto para um bom filme do Demolidor, chama-se: Demolidor: Homem sem Medo, de Frank Miller e John Romita Jr..

1 – Mulher Gato (2004) – Esse eu não consegui ver até o fim. Tudo que pode existir de ruim num filme adaptado de HQ, se encontra nesse. Alias, isso não é adaptação de HQ; isso é uma alucinação psicótica dos envolvidos da produção.

Menção Honrosa para: Batman e Robin (1997), eu disse que comentaria apenas filmes de nossa atual década, mas não é tão simples se esquecer dessa preciosidade. Devemos sempre nos lembrar disso para que nunca mais se repita!

Os Melhores dos anos 2000:

5 – X-Men (2000) – Foi o filme que abriu espaço para todas as atuais adaptações e, exatamante por isso, merece crédito. Não é nada fácil realizar um filme com tantos personagens e, mesmo com seu baixo orçamento, o resultado foi simplesmente bom. Convenhamos que o Ciclope e o Dentes-de-Sabre foram "estuprados" nessa adaptação.

4 – Homem Aranha (2002) – Um belo filme. Apesar do Tobey Maguire, gostei de seu Peter Parker divertido e brincalhão. Acho que o único pecado do filme foi aquela armadura do Duente Verde. Tudo bem que um colante verde e rosa não ficaria nada bem no filme, mas acho que havia outras possibilidades. Mas, a teia orgânica se saiu muito bem no filme.

3 – 300 (2007) – Seguindo a onda do Sin City, procurou ser bastante fiel à HQ. E conseguiu, apesar de criar uma pequena estória paralela inexistente na HQ. Mas de qualquer maneira, um ótimo filme. Diversão garantida.

2 – Sin City (2005) – Isso não é uma adaptação, é quase uma transposição das HQs. A fotografia, as cores, a montagem, o roteiro... Excelente.

1 – Batman: Begins (2005) – Incrível! Um elenco fantástico (Christian Bale, Michael Cane, Gary Oldman, Morgan Freeman...). Esse filme mostra que não é preciso ser extremamente fiel aos HQs para agradar o público, mas um mínimo de respeito com os personagens é necessário. Batman levado a sério (Onde estará o Bat-Card numa hora dessas?).

Curioso que através do Universo de Batman conseguiram criar uma obra prima (Batman: Begins) e um lixo sem categoria (Mulher-Gato).

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Em defesa da Psicanálise, uma crítica aos Psicanalistas.

A Psicanálise é uma Meta-Psicologia que começou a ser edificada por Sigmund Freud (1856 - 1939) em seus trabalhos sobre a Histeria, um mal bastante comum em sua época que intrigava os médicos, pois a Histeria possui uma grande variedade de sintomas físicos e nenhuma explicação biológica.

Assim, Freud desenvolveu uma forma de tratar doenças Psicossomáticas. A Cura pela Fala! E, através dessa prática construiu um rico corpo teórico sobre o assunto. Sempre partindo, todas as suas especulações sobre o psiquismo, de estudos e experiências práticas.

Algumas idéias podem se mostrar ultrapassadas, entretanto devemos considerar o conhecimento que se possuía na época e toda a moralidade embutida nesse (que apesar de Freud ter ido contra muitos tabus, ainda podemos encontrar certos entraves). Mas a Psicanálise já passou dos cem anos e diversos autores colaboraram e colaboram para o seu desenvolvimento.

A Psicanálise também demorou a ser aceita no meio acadêmico por conta de muitos preconceitos médicos na época. Entre eles estão os fatos de que Freud praticou e desenvolveu sua ciência fora das universidades e procurava a explicar para pessoas comuns, utilizando uma linguagem coloquial, isso além de lidar com assuntos até hoje considerados tabus na sociedade (ainda assim, o que vemos nas universidades hoje, não é exatamente a Psicanálise, mas uma Psicologia com base Analítica).

Freud escreveu seus trabalhos numa linguagem coloquial para época na tentativa de alcançar um grande número de pessoas e transformar a Psicanálise num conhecimento popular. E ainda, procurava não formular conceitos fechados, pois isso seria um reducionismo da experiência. (Isso me faz lembrar de Sócrates que nunca escreveu sua filosofia, pois acreditava que isso tornaria seu conhecimento estático). Alguns críticos utilizam essa característica para afirmar sua não cientificidade e categorizar Freud como um literário.

Foi quando a Psicanálise chegou aos Estados Unidos que começaram as más traduções a organizando em conceitos fechados para dar-lhe uma aparência mais científica. Porém, isso realmente a tornou reduzida e passível de más interpretações. O maior exemplo disso se refere à tópica do Ego, Id e SuperEgo, que não são nada coloquiais em nossa linguagem (A versão brasileira da obra completa de Freud foi traduzida do Inglês; apenas nos últimos anos que estão publicando uma nova tradução diretamente do Alemão). Em alemão Ego, Id e SuperEgo é, respectivamente, Ich (Eu), Es (3ª Pessoa do singular neutro, o mesmo que "It" do inglês) e Über-Ich (além, sobre ou acima do Eu).

A maior contribuição de Freud foi seu postulado sobre o Inconsciente. Antes dele, alguns filósofos já haviam discursado sobre uma área do psiquismo humano além da consciência, mas nunca o explicaram como Freud o fez. Sendo o Inconsciente o objeto de estudo da Psicanálise, é inegável sua existência depois de todas as demonstrações de sua expressão no pensamento e comportamento humano. Negar o Inconsciente é um absurdo como negar a Teoria da Evolução.
Mesmo as Psicologias (que tem como objeto de estudo o Consciente e o Comportamento Humano) não negam o Inconsciente, elas apenas se limitam a trabalhar com outros aspectos do ser humano.

Freud escreveu que considerava o Inconsciente a terceira ferida Narcísica da humanidade. A primeira seria com Copérnico e o Heliocentrismo (não somos o centro do universo); a segunda com Darwin e a Teoria da Evolução (não estamos acima das leis naturais), e o próprio Freud com o Inconsciente (não somos os senhores de nós mesmos). Parece-me que ele estava certo, pois esse seu conceito continua incomodando muitas pessoas.

As críticas mais comuns contra a Psicanálise são: que é uma ciência Judaica, uma crítica evidentemente racista (usada pelos Nazistas quando queimaram seus livros), e sugere que todos os Judeus cultuam o sofrimento, a culpa e a depressão; e, que não seria uma ciência porque apenas ela se explica, crítica essa formulada por pesquisadores das ciências naturais e exatas (geralmente Americanos que adoram estatísticas em seus estudos), mas se esquecem que a Psicanálise não é uma ciência Natural e sim Humana, ou seja, possui outras formas de validação, principalmente na tradição Européia.

Quando se trata da intersubjetividade, não é possível realizar dados estatísticos ou reprodução em laboratório. Entretanto, a Psicanálise possui um objeto de estudo delimitado, um método, técnicas de trabalho e uma comunidade científica de estudos produzindo conhecimento, características suficientes para enquadrá-la nas ciências. Alguns podem dizer que a Astrologia também possui essas características, mas na Astrologia não é possível observar resultados empiricamente, ao contrário da Psicanálise. Existem estudos (das ciências naturais) sobre depressão, que comprovam a eficácia das terapias tanto quanto uma medicação antidepressiva.

O que suponho, é que as Ciências Naturais só reconhecem um conhecimento quando são passados por seu crivo, principalmente quando se trata de um conhecimento humano utilizado na saúde (com certa razão nesse ponto). Não vejo dúvidas sobre a cientificidade da Sociologia ou da Antropologia, também Humanas, mas sem aplicação direta na saúde. Porém, elas (as Ciências Naturais) também deveriam considerar os ganhos de cada paciente analisado ao invés de se restringir a críticas teóricas e epistemológicas.

Outro ponto de críticas, está relacionado a um dos materiais de estudo da Psicanálise: os sonhos. Vemos nas bancas de jornal livrinhos de interpretações de sonhos, mas isso nada tem haver com Psicanálise. Para se interpretar um sonho é preciso percorrer um longo processo analítico, pois não existem fórmulas exatas para isso e, muito menos, um significado comum para todas as pessoas.

Além de tudo isso, os Psicanalistas não colaboram para responder as críticas recebidas. Atualmente isolam-se em sociedades fechadas (quase secretas) e sobrevivem através de um comportamento autofágico (um alimenta o outro, sem nunca procurar as pessoas fora de seu círculo). Perdeu-se a cultura de Freud para transformar a Psicanálise num conhecimento popular.

Também existe a falta de esforços por parte dos Psicanalistas para regulamentar sua profissão. No Brasil, não há uma legislação para a formação do Psicanalista, abrindo brechas para péssimos profissionais em consultórios utilizando um título que não lhes cabe. E, a total ausência de fiscalização também permite a proliferação desses charlatões que utilizam bizarrices como terapias com cristais, prismas, pirâmides, energias místicas, vidas passadas, orações, etc.

Falta nos Psicanalistas a abertura para uma comunicação com as comunidades científicas e sociais. Só assim todos esses preconceitos contra a Psicanálise seriam vencidos.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Apenas um Gibizinho...

Durante alguns anos, fui um colecionador de HQs. Gastava um bom dinheiro com toda a linha Marvel e DC que saia nas Bancas. Mesmo odiando aquelas sagas enormes que para serem entendidas, você precisava ler uma teia de estórias publicadas em diversos títulos. E, a Editora Abril, nessa época, não publicava a cronologia corretamente. Muitas vezes, algumas estórias nem chegavam a sair por aqui.
Mas hoje, muita coisa mudou e sou apenas um apreciador. Os Heróis são publicados pela Panini (e não sei como andam as cronologias). Dou atenção a alguns autores como Alan Moore, Neil Gaiman entre outros, e não acompanho mais as linhas de Super-Hérois. Continuo os adorando, mas apenas em estórias fechadas e edições especiais mais adultas.

Há pouco tempo, ouvi pessoas falarem muito mal das HQs. Argumentaram serem "coisa de criança", pouco ou nada educativas, com histórias absurdas, que não possuem um texto bem trabalhado ou primoroso e que são "apenas um gibizinho". Ouvi até dizerem que as HQs são uma "Arte Menor" (seja lá o que isso significa). É claro que essas pessoas nunca leram uma HQ na vida e, se leram, não foi nada mais do que Turma da Mônica (que também adoro, diga-se de passagem).
Quando alguém chama uma Revista em Quadrinhos qualquer de GIBI, saiba que essa pessoa não sabe muito sobre esse universo fantástico. Acho que chamar "Watchmen" (de Alan Moore) de "Gibizinho", é no mínimo sem noção!

GIBI, na Língua Portuguesa significa: "Garoto Negro, Negrinho". E foi o título de um Almanaque publicado no Brasil a partir de 1939. Com o tempo, convencionou-se a usar o termo Gibi para as Revistas em Quadrinhos em geral. Mas hoje Gibi está mais associado às publicações estritamente infantis (Turma da Mônica, Disney, etc).
Nos EUA, os Quadrinhos são chamados de "Comics" (cômico), pois as primeiras publicações traziam apenas estórias cômicas. Ainda hoje esse termo é utilizado para Revistas em Quadrinhos, mas não para todas. Will Eisner popularizou o termo "Graphic Novel" (Romance Gráfico) que vêm sendo usado para edições mais luxuosas e Quadrinhos mais complexos, diferenciando-se dos populares "comics".

De qualquer forma, o termo ultilizado para se referir às HQs não é tão importante, apesar de achar que isso pode ajudar a combater uma pequena parcela do preconceito. O importante, é reconhecer que o formato das HQs é uma mídia, uma forma de expressão, um meio de comunicação e transmissão de idéias. É uma história contada através da Arte Sequencial. Assim, como uma história pode ser contada através do Cinema.
Uma história rica e bem exposta na mídia que for, é uma história rica e bem contada. Alguns podem se sentir mais atingidos ou, simplesmente, se sentir mais a vontade com uma mídia ou outra, mas triste são as pessoas que não se deixam ler "Sandman" (de Neil Gaiman) ou "V de Vingança" (de Alan Moore) por considerar apenas um "Gibizinho".

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Y - O Último Homem

Em janeiro passado nos EUA, foi publicada a última edição da HQ "Y - The Last Man", de Brian K. Vaughan. São 60 edições escritas por Vaughan, construindo uma excelente série para o selo Vertigo.
Em Y, uma praga extermina todos os mamíferos machos do planeta, ou seja, aqueles que possuem o cromossomo Y. Misteriosamente, restam apenas Yorick, um rapaz desocupado especialista em fugas, e seu macaco de estimação, Ampersand (sabiam que esse símbolo "&" se chama Ampersand?).



A praga se deu quase que instantaneamente em todo o planeta, dizimando os pilotos de aviões (inclusive os que estavam em vôo no momento), oficiais da marinha, exército e aeronáutica, governantes de todos os países, pedreiros, eletricistas, motoristas, representantes e líderes religiosos (Católicos, Judeus, Muçulmanos, entre outros); todos esses grupos formados por homens em sua maioria absoluta.
As mulheres, outrora, marginalizadas pela sociedade, se vêem agora com um mundo em ruinas nas mãos. Com o planeta em colapso, as mulheres, precisam estabelecer uma ordem, enterrar bilhões de cadáveres e encontrar meios para enfrentar o fatídico extermínio dos homens.
Yorick, O Último Homem, tem de sobreviver nesse mundo cheio de estrogênio, pois sabe que é uma das poucas esperanças para a espécie humana se perpetuar. Um fardo imenso para um homem só, que naturalmente sofre um conflito entre o altruísmo pela humanidade e seus próprios desejos egoístas neste mundo pós-apocalíptico. Ao seu lado está a Agente Secreta 355, responsável por protegê-lo e levá-lo até a Dra. Allison Mann, uma especialista em clonagem.
Y - The Last Man não possui uma conotação machista ou feminista, mas expõe os esteriótipos dessa guerra dos sexos com irônia. Repleta de referências da cultura pop, traz um humor inteligente em meio ao caos, o drama e a violência.
Para aqueles desejosos por uma resposta plausível sobre a Praga, garanto que encontrarão uma boa explicação. No decorrer da estória somos apresentandos a todos os tipos de explicações: místicas e mágicas, religiosas e divinas, biológicas e científicas. Isso tudo, é claro, dentro do contexto desta estória de ficção científica!



Já existem planos para levar a HQ aos cinemas. O autor Brian Vaughan não se empolgou muito com isso, mas sabiamente disse esperar por um bom filme, e caso tudo dê errado, suas HQs continuarão por aqui. (Universo HQ)

Algumas edições de Y já foram publicadas no Brasil pela Opera Graphica, mas provavelmente só teremos uma edição/publicação da série completa após o filme fazer algum sucesso, quando outras editoras lutarão para publicar um livro luxuoso e caríssimo.

Informações sobre o Filme no: Cinema em Cena.

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