domingo, 9 de março de 2008

"4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" - Aborto em Discussão

Tive a oportunidade de assistir ao filme: "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" e gostaria de comentá-lo nesse Blog. 4months3weeks2days_01

Ambientado na Romênia em 1987, durante uma ditadura comunista bastante opressiva, conta a história de uma garota (Gabriela) que planeja realizar um aborto, ilegal em seu país, com a ajuda de sua melhor amiga (Otília), a protagonista.

O título já nos dá uma das respostas que esperamos ouvir de Gabriela durante o filme, mas essa informação é desconhecida pela personagem.

Angústiante em muitos momentos, o filme exibi essa narrativa de forma crível e madura. O diretor é capaz de transmitir uma sensação de realidade através da câmera e do próprio roteiro, e uma dramaticidade usando apenas a ambientação e os personagens, sem apelar para sons de orquestra e closes em lágrimas e expressões caricatas de sofrimento.

Não acredito muito em Imparcialidade ou Neutralidade, pois sempre apresentamos um tema através de um foco, um recorte, que por si só já possui uma intencionalidade. Porém, não consigo classificar "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" como um filme Pró-Aborto ou Contra-Aborto.

Penso ser possível defender os 2 pontos de vista através desse filme. Cabe à interpretação de cada um.

Quando vemos os momentos mais dramáticos que antecedem o Aborto, logo podemos defender sua prática legal na tentativa de defender essas garotas. Mas em seguida, somos apresentados ao Aborto, propriamente dito, e vemos uma mudança nas concepções de Gabriela a respeito do que acabara de fazer. Momentos esses que podem ser interpretados como Contra-Aborto. Assim, recebemos alguns argumentos para defender os 2 lados.

Dito isso, ao terminar o filme tendemos a usar nossas idéias e crenças a respeito do assunto para interpretar o filme como um todo e será assim que muitos poderão o classificar.

Ficha Técnica:

4months3weeks2days_02 "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" - (4 Luni, 3 Saptamâni si 2 Zile)
Romênia - 2007

Diretor: Cristian Mungiu
Roteiro: Cristian Mungiu

Elenco: Anamaria Marinca, Laura Vasiliu, Vlad Ivanov...

Eu, particularmente,

sempre defendi a prática do Aborto como uma escolha exclusivamente feminina. Acredito que o Estado deve defender o interesse de todos. Assim, se há uma parcela da sociedade que defende uma prática que não causará mal algum aos outros membros dessa sociedade, por que condená-los?

As questões Éticas sobre o assunto me parecem hipócritas. A manipulação e criação da vida humana já é praticada há muito tempo nos laboratórios sem esses conflitos. E depois, os embriões possuem apenas potencial para se tornar um ser humano, assim como todos os espermatozóides e óvulos descartados pelas pessoas durante toda a vida.

Somente apartir do 6º mês a criança tem chances de sobreviver fora do útero com cuidados intensos (do 7º é mais certo isso) e, por essa razão, imagino que o limite de tempo para o aborto deveria ser antes disso, por volta dos 3 ou 4 meses. Quando o feto é apenas um parasita com potencial humano. Mas esse assunto ainda é muito romanciado.

Quanto aos interesses religiosos na questão, isso só cabe aos fiéis. Os religiosos devem exercer sua crença e propagá-la àqueles que os seguem. Seria injusto amanhã todos serem proibidos de doar ou receber sangue, não seria? Ou então, todos deverão ser circuncisados; todos serão proibidos de trabalhar aos Sábados (essa seria boa!!!)... mas enfim, o mundo não funcionaria bem dessa forma, e ofenderia ou prejudicaria muitas pessoas.

O Aborto já é uma prática comum em todo o mundo, seja nos países em que são proibidos ou não. E, é visto como um problema para o Estado apenas onde é proibido, pois muitas mulheres acabam morrendo ou tornando-se estéries após se submeterem a procedimentos sub-humanos. Enquanto ilegal, o Estado ignora e prejudica essas pessoas. É ilusão acreditar que a proibição inibe completamente sua prática.

Não defendo o Aborto como prática regular na prevenção de filhos, sua legalização deve vir acompanhada de diversas medidas educativas e preventivas, além de coexistir com procedimentos de preservação emocional para a mulher. Acredito que deve existir a opção do Aborto para quem a defende, mas não devemos incentivá-la para todas as situações, pois assim, cairíamos no mesmo erro da generalização religiosa.

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