quinta-feira, 20 de março de 2008

Feliz Ano Novo!

Hoje entramos no Outono e o Hemisfério Norte, na Primavera. Essa data tem uma importância histórica além do início dessas estações do ano no planeta, ela é também um marco na origem dos calendários.

Já pensaram no absurdo que é chamar o mês 9 de "SETEmbro" e o 11 de "NOVEmbro"? Pois é... Não faz muito sentido.
Numa pesquisa rápida sobre nosso Calendário, descobrimos que no passado o Ano Novo era comemorado em 1º de Março, pois coincidia com o início da Primavera (no Hemisfério Norte). Nada mais óbvio, comemorar o início de um novo ciclo quando se percebe o reflorescer das árvores ao seu redor. É realmente incrível como os antigos organizaram seus calendários com base na observação. Alguns Índios Brasileiros utilizavam o Caju para calcular o tempo, e, em Tupi-Guarani: Acayu (Caju) significa “ANO”.

Mas nosso Calendário, de origem Romana, já passou por várias reformulações e transformações, de forma que se perderam alguns de seus significados, como o fato do Ano não se iniciar junto de uma estação.
O Império Romano possuiu um Calendário bastante primitivo chamado “Calendário de Rômulo” (753 a.C.). Nesse, o ano era contado com 304 dias dentro de 10 meses (não existia ainda Janeiro e Fevereiro), pois vários dias do Inverno não eram contabilizados.
Já em 700 a.C. foi aderido um Calendário um pouco melhor, mas também bastante confuso, o "Calendário Pompílio". Esse se alternava entre anos de 355 dias organizados em 12 meses (já com Janeiro e Fevereiro) e anos com 377 dias organizados em 13 meses, sendo um deles apenas um período intercalar para o ano seguinte. Porém, note-se que nessa época os anos não eram contados como fazemos hoje, cada ano completado recebia um nome próprio (normalmente o nome de um político em exercício na época).
Mas em 45 a.C. Julio César reformulou o Calendário Romano em 365 dias dentro de 12 meses e, instituiu o Ano Bissexto a cada 4 anos, mas o Ano Novo ainda era comemorado no Festival da Primavera. Essas medidas foram necessárias para padronizar a contagem do Ano por todo o Império Romano, pois algumas regiões contavam o tempo de formas muito diferentes.
Entretanto, mais tarde, verificou-se que havia um pequeníssimo erro na contagem dos Anos Bissextos (12 minutos) e, o Papa Gregório XIII para corrigir o erro omitiu 10 dias do Calendário em 1582 para mais uma vez sincronizar o tempo com as estações do ano e melhor calcular o dia de Páscoa. Assim, no ano de 1582 não existiram os dias entre 4 e 15 de Outubro. E, foi com Gregório XIII que se começou a contar a cada Ano Novo em 1º de Janeiro.
Desde de então, o Ano Bissexto não é mais a cada 4 anos simplesmente. Os anos múltiplos de 100, mas não de 400, não são Bissextos. O Ano de 1900 foi o último ano que seria Bissexto, mas não foi, e o próximo será 2100. Sem essa regra, o ano se atrasaria 3 dias a cada 400 anos.
Demorou bastante tempo para todos os paises aceitassem o Calendário Gregoriano. A Rússia, por exemplo, só o aderiu em 1918 e a Turquia em 1923. Antes disso, era utilizado o Calendário Juliano.
Já os nomes dos Meses permaneceram quase os mesmos desde de 753 a.C., e podemos ver que eram seis meses com nomes derivados de Deuses e outros seis que eram apenas contados. Vejamos:

  • Março – Martius – Marte (Ares - Deus da Guerra).
  • Abril – Aprilis - Vênus (Afrodite - Deusa do Amor).
  • Maio – Maius - Bona Dea (Fauna - Deusa da Fertilidade).
  • Junho – Iunius - Juno (Hera - Deusa do Casamento e Protetora das Mulheres).
  • Julho – Quintilis – 5º Mês (Dedicado a Julio César).
  • Agosto – Sextilis – 6º Mês (Dedicado a César Augusto).
  • Setembro – Septem – 7º Mês.
  • Outubro – Octo – 8º Mês.
  • Novembro – Novem – 9º Mês.
  • Dezembro – Decem – 10º Mês.
  • Janeiro – Ianuarius – Jano (Janus - Deus do Passado e do Futuro).
  • Fevereiro – Februarius – Februus (Deus da Morte e da Purificação).

Calendário da Paz
Existe um projeto bastante interessante do arqueólogo americano José Arguilles. Ele propõe que em 2013 seja adotado o “Calendário da Paz”. Um sistema desenvolvido por ele mesmo, baseado no Calendário Maia, que inclui 365 dias organizados em 13 meses iguais.
Seriam 13 meses de 28 dias, somando 364 e, o dia restante “fora do tempo” seria proclamado o “Dia da Paz”. Segundo ele, nosso atual sistema capitaliza o tempo e seu projeto faria com que nos re-aproximasse dos Ciclos Naturais do planeta, pois nos esquecemos que o ciclo Lunar é de 28 dias.

Realmente parece interessante, mas alguém acredita que vá para frente?

Fontes:
Cruzamento de Informações entre edições das Revistas: Galileu e Superinteressante e, mais um pesquisa básica na Wikipedia.

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