quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Ideologia...Você quer uma?

Esse é um exercício muito interessante. A tarefa é encontrar no texto seguinte, as idéias e ideais defendidos e, responder a cada um deles, se concorda ou não com tal afirmação.
Segue o texto:

“Pense-se no seguinte.
Em um alojamento subterrâneo, composto de dois quartos abafados, mora uma família proletária de sete pessoas. Entre os cinco filhos, suponhamos um de três anos. É esta a idade em que a consciência da criança recebe as primeiras impressões. Entre os mais dotados encontra-se, mesmo na idade madura, vestígio da lembrança desse tempo. O espaço demasiado estreito para tanta gente não oferece condições vantajosas para a convivência. Brigas e disputas, só por esse motivo, surgirão freqüentemente. As pessoas não vivem umas com as outras, mas se comprimem umas contra as outras. Todas as divergências, sobretudo as menores, que, nas habitações espaçosas, podem ser sanadas por um ligeiro isolamento, conduzem aqui a repugnantes e intermináveis disputas. Para as crianças isso é ainda suportável. Em tais situações, elas brigam sempre e esquecem tudo depressa e completamente. Se, porém, essa luta se passa entre os pais, quase todos os dias, e de maneira a nada deixar a desejar em matéria de grosseria, o resultado de uma tal lição de coisas faz-se sentir entre as crianças. Quem tais meios desconhece dificilmente pode fazer uma idéia do resultado dessa lição objetiva, quando essa discórdia recíproca toma a forma de grosseiros desregramentos do pai para com a mãe e até de maus tratos nos momentos de embriaguez. Aos seis anos, já o jovem conhece coisas deploráveis, diante das quais até um adulto só horror pode sentir. Envenenado moralmente, mal alimentado, com a pobre cabecinha cheia de piolhos, o jovem "cidadão" entra para a escola.
A custo ele chega a ler e escrever. Isso é quase tudo. Quanto a aprender em casa, nem se fale nisso. Até na presença dos filhos, mãe e pai falam da escola de tal maneira que não se pode repetir e estão sempre mais prontos a dizer grosserias do que pôr os filhos nos joelhos e dar-lhes conselhos. O que a criança ouve em casa não é de molde a fortalecer o respeito às pessoas com que vai conviver. Ali nada de bom parece existir na humanidade; todas as instituições são combatidas, desde o professor até às posições mais elevadas do Estado. Trata-se de religião ou da moral em si, do Estado ou da sociedade, tudo é igualmente ultrajado da maneira mais torpe e arrastado na lama dos mais baixos sentimentos. Quando o rapazinho, apenas com quatorze anos, sai da escola, é difícil saber o que é maior nele: a incrível estupidez no que diz respeito a conhecimentos reais ou a cáustica imprudência de suas atitudes, aliada a uma amoralidade que, naquela idade, faz arrepiar os cabelos.
Esse homem, para quem já quase nada é digno de respeito, que nada de grande aprendeu a conhecer, que, ao contrário, conhece todas as vilezas humanas, tal criatura, repetimos, que posição poderá ocupar na vida, na qual ele está à margem?
De menino de treze anos ele passou, aos quinze, a um desrespeitador de toda autoridade.
Sujidade e mais sujidade, eis tudo o que ele aprendeu. E isso não é de molde a estimulá-lo a mais elevadas aspirações.
Agora entra ele, pela primeira vez, na grande escola da vida.
Então começa a mesma existência que nos anos da - meninice ele aprendeu de seus pais. Anda para cima e para baixo, entra em casa Deus sabe quando, para variar bate ele mesmo na alquebrada criatura que foi outrora sua mãe, blasfema contra Deus e o mundo e, enfim, por qualquer motivo especial, é condenado e arrastado a uma prisão de menores. Lá recebe ele os últimos polimentos.”

As principais idéias encontradas no texto são: (Selecione para ler)
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- Formação da personalidade e do caráter na infância.
- Os pais como formadores primordiais da moral e ética.
- O espaço físico como influência e determinação na qualidade do comportamento e das relações interpessoais.
- A ineficácia das Instituições, no que se refere, principalmente, à formação moral e ética.
- Incapacidade humana de reabilitação e ressocialização.
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Conclusões: (Selecione para ler)
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Alguém se questionou sobre a data e autor? Pois essa é uma informação importante para ler e interpretar um texto qualquer. O texto é de 1924 e foi extraído do livro “Mein Kampf” (Minha Luta) de Adolf Hitler.
Nesse livro, Hitler expõe algumas de suas idéias que futuramente seriam utilizadas para justificar o Genocídio e a necessidade de expansão territorial da Alemanha, culminando na Segunda Grande Guerra.
Através de sua retórica, o texto, muitas vezes, parece sedutor e bastante lógico, mas concordar com todas essas idéias sem ressalvas é condenar todos os projetos sociais existentes no planeta, desacreditar nas propostas de todas as instituições de ensino (ou sociais), e finalmente, aceitar que o ser humano é incapaz de se transformar e se adaptar.
Muitas de nossas instituições podem ser falidas e ineficazes, mas não podemos abandonar a idéia do potencial de transformação do ser humano. Os defeitos dessas instituições se dão pela inexistência de projetos bem construídos e eficazes, além da falta de profissionais com formação adequada. Pensem nisso.

Alguns parágrafos à frente, Hitler também escreve:
“Só se pode lutar pelo que se ama, só se pode amar o que se respeita e respeitar o que pelo menos se conhece”
."

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