quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Apenas um Gibizinho...

Durante alguns anos, fui um colecionador de HQs. Gastava um bom dinheiro com toda a linha Marvel e DC que saia nas Bancas. Mesmo odiando aquelas sagas enormes que para serem entendidas, você precisava ler uma teia de estórias publicadas em diversos títulos. E, a Editora Abril, nessa época, não publicava a cronologia corretamente. Muitas vezes, algumas estórias nem chegavam a sair por aqui.
Mas hoje, muita coisa mudou e sou apenas um apreciador. Os Heróis são publicados pela Panini (e não sei como andam as cronologias). Dou atenção a alguns autores como Alan Moore, Neil Gaiman entre outros, e não acompanho mais as linhas de Super-Hérois. Continuo os adorando, mas apenas em estórias fechadas e edições especiais mais adultas.

Há pouco tempo, ouvi pessoas falarem muito mal das HQs. Argumentaram serem "coisa de criança", pouco ou nada educativas, com histórias absurdas, que não possuem um texto bem trabalhado ou primoroso e que são "apenas um gibizinho". Ouvi até dizerem que as HQs são uma "Arte Menor" (seja lá o que isso significa). É claro que essas pessoas nunca leram uma HQ na vida e, se leram, não foi nada mais do que Turma da Mônica (que também adoro, diga-se de passagem).
Quando alguém chama uma Revista em Quadrinhos qualquer de GIBI, saiba que essa pessoa não sabe muito sobre esse universo fantástico. Acho que chamar "Watchmen" (de Alan Moore) de "Gibizinho", é no mínimo sem noção!

GIBI, na Língua Portuguesa significa: "Garoto Negro, Negrinho". E foi o título de um Almanaque publicado no Brasil a partir de 1939. Com o tempo, convencionou-se a usar o termo Gibi para as Revistas em Quadrinhos em geral. Mas hoje Gibi está mais associado às publicações estritamente infantis (Turma da Mônica, Disney, etc).
Nos EUA, os Quadrinhos são chamados de "Comics" (cômico), pois as primeiras publicações traziam apenas estórias cômicas. Ainda hoje esse termo é utilizado para Revistas em Quadrinhos, mas não para todas. Will Eisner popularizou o termo "Graphic Novel" (Romance Gráfico) que vêm sendo usado para edições mais luxuosas e Quadrinhos mais complexos, diferenciando-se dos populares "comics".

De qualquer forma, o termo ultilizado para se referir às HQs não é tão importante, apesar de achar que isso pode ajudar a combater uma pequena parcela do preconceito. O importante, é reconhecer que o formato das HQs é uma mídia, uma forma de expressão, um meio de comunicação e transmissão de idéias. É uma história contada através da Arte Sequencial. Assim, como uma história pode ser contada através do Cinema.
Uma história rica e bem exposta na mídia que for, é uma história rica e bem contada. Alguns podem se sentir mais atingidos ou, simplesmente, se sentir mais a vontade com uma mídia ou outra, mas triste são as pessoas que não se deixam ler "Sandman" (de Neil Gaiman) ou "V de Vingança" (de Alan Moore) por considerar apenas um "Gibizinho".

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